top of page

Da Terra à Mesa: parceria com o MDA fortalece a transição agroecológica em assentamentos e comunidades indígenas

  • Foto do escritor: coomunica30
    coomunica30
  • 16 de abr.
  • 3 min de leitura

Projeto prevê instalação de uma unidade para produção de bioinsumos, assessoria técnica agroecológica e formação de 200 agentes de transição agroecológica 


O coordenador do projeto, José Antônio Louzada, durante o lançamento em Catanduvas (SC)
O coordenador do projeto, José Antônio Louzada, durante o lançamento em Catanduvas (SC)

Reunindo organizações da reforma agrária, instituições públicas e movimentos sociais, o projeto Da Terra à Mesa, do Edital de Chamamento Público nº 01/2025 SAF/MDA, foi lançado na manhã desta quarta-feira (15), em Catanduvas (SC). Com o objetivo de fortalecer a produção de alimentos saudáveis, ampliar a geração de renda no campo e incentivar a transição agroecológica, a iniciativa aposta no processo de assessoria, formação e estruturação produtiva, com a instalação de uma unidade de produção de bioinsumos no estado de Santa Catarina, com local a ser definido.


A Cooptrasc, proponente do projeto, conta com a parceria das cooperativas dos assentamentos e do Instituto Federal de Santa Catarina (IFC), campus Abelardo Luz, para organizar a produção de centenas de famílias assentadas e formar os agentes de transição agroecológica. Ao longo dos próximos dois anos, a meta é formar 200 agentes, que devem apoiar e orientar a implementação das práticas voltadas à produção e ao uso de bioinsumos em suas comunidades.


O projeto promete mais autonomia e sustentabilidade para os assentados da reforma agrária e comunidades indígenas, além do repasse de recursos para a aquisição de kits de bioinsumos e assessoria técnica qualificada.


Debates apontam desafios e caminhos para a agroecologia


Durante o lançamento, destacou-se tanto o potencial das iniciativas quanto os desafios enfrentados no campo. Entre os principais pontos levantados, esteve a necessidade de mudança na lógica da fiscalização, priorizando o controle sobre o uso de agrotóxicos, em vez de penalizar práticas agroecológicas.


Os participantes cobraram dos órgãos governamentais a superação dos entraves legais na certificação orgânica, além das dificuldades na implementação de políticas públicas, especialmente em programas relacionados à alimentação institucional, como o PAA e o PNAE.


Por outro lado, o superintendente federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) em Santa Catarina, José Fritsch, ressaltou o papel das cooperativas e da sociedade na construção de processos de acompanhamento, fiscalização e responsabilidade compartilhada.


Assessoria técnica, sementes e continuidade das políticas


Muitas falas evidenciaram desafios concretos enfrentados pelas famílias assentadas, como o acompanhamento técnico na aplicação de bioinsumos e a necessidade de ampliar o acesso à formação e tecnologias apropriadas. Também foram mencionados impactos da contaminação por agrotóxicos, que têm gerado desmotivação entre agricultores e reforçado a urgência de medidas mais efetivas de fiscalização e proteção à produção de alimentos saudáveis.


“Há desafios no acompanhamento das famílias na aplicação de bioinsumos e composteiras, e uma situação preocupante em relação aos povos indígenas, que não estão mais adaptados às espécies não transgênicas, cada vez mais limitadas no território”, relata Alessandra Morais Silva, da Cooptrasc.

A preocupação da técnica vai ao encontro de um elemento central na política de assistência técnica da Cooptrasc: a valorização da produção e troca de sementes, fundamental para a autonomia dos agricultores. Nesse sentido, o dirigente estadual do MST, Lucídio Ravanello, destacou a importância do movimento e o papel das instituições de ensino no desenvolvimento de pesquisas e práticas voltadas à agroecologia.


A continuidade das políticas públicas e de projetos estruturantes — com relatos sobre iniciativas interrompidas por falta de recursos e equipe —, além da necessidade de planejamento adequado para garantir a transição produtiva das famílias sem comprometer sua renda, são preocupações de quem trabalha por um campo mais sadio e próspero.


Fortalecer a agroecologia como caminho estratégico


Ao articular produção, assessoria técnica agroecológica e organização social, o projeto Da Terra à Mesa se soma a outras iniciativas da Cooptrasc que buscam fortalecer a agricultura familiar e ampliar o acesso da população a alimentos saudáveis.


O projeto reafirma a agroecologia como um caminho estratégico para a construção de um modelo de desenvolvimento que una justiça social, sustentabilidade e soberania alimentar.



 
 
 

Comentários


Siga-nos nas Redes Sociais

  • Instagram
  • Facebook

© 2023 por Renova Consultoria. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page